Coojornal Nº 39 - 2 Bilhões de Dólares para a Repressão

A Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal) lançou em 2022 a 39ª edição do seu livro-reportagem, intitulado "2 Bilhões de Dólares para a Repressão". A obra é uma investigação jornalística sobre o financiamento de órgãos de repressão no Brasil, como a Polícia Militar, o Exército e as polícias civis.

O livro é dividido em três partes. A primeira parte, "O Sistema de Repressão", apresenta um panorama geral do aparato repressivo brasileiro, desde a sua origem até os dias atuais. A segunda parte, "O Financiamento da Repressão", investiga as fontes de financiamento dos órgãos de repressão, incluindo o orçamento público, as doações de empresas privadas e as parcerias com organizações internacionais. A terceira parte, "A Repressão em Ação", apresenta uma série de reportagens sobre casos concretos de repressão no Brasil, como os assassinatos de ativistas, as invasões de comunidades indígenas e as prisões arbitrárias.

O Sistema de Repressão

O sistema de repressão brasileiro é um dos mais violentos do mundo. Em 2021, o Brasil foi o país que mais matou pessoas no mundo, com mais de 60 mil homicídios. A maioria dessas mortes foi cometida pela polícia, que matou mais de 6 mil pessoas no mesmo ano.

A violência policial é um problema histórico no Brasil. Desde a época da colonização, a polícia tem sido usada para reprimir os movimentos sociais e garantir os interesses das elites econômicas. Com a ditadura militar (1964-1985), a repressão se intensificou e se tornou sistemática.

Após a ditadura, o sistema de repressão continuou a operar, embora de forma menos violenta. No entanto, nos últimos anos, a violência policial voltou a crescer, especialmente com a ascensão do bolsonarismo.

O Financiamento da Repressão

O sistema de repressão brasileiro é financiado por uma variedade de fontes, incluindo o orçamento público, as doações de empresas privadas e as parcerias com organizações internacionais.

O orçamento público é a principal fonte de financiamento da repressão. Em 2021, o governo federal destinou mais de R$ 100 bilhões para a segurança pública, o que representa cerca de 10% do orçamento total do país.

Além do orçamento público, os órgãos de repressão também recebem doações de empresas privadas. Essas doações geralmente são feitas em troca de favores, como a proteção de interesses econômicos ou a realização de operações policiais que beneficiem as empresas doadoras.

Os órgãos de repressão também mantêm parcerias com organizações internacionais, como a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos e o Mossad de Israel. Essas parcerias geralmente envolvem o compartilhamento de informações e a realização de operações conjuntas.

A Repressão em Ação

A repressão no Brasil se manifesta de diversas formas, incluindo assassinatos, invasões, prisões arbitrárias e torturas.

Os assassinatos de ativistas são um dos casos mais emblemáticos da repressão no Brasil. Nos últimos anos, dezenas de ativistas foram mortos no país, muitos deles por policiais.

As invasões de comunidades indígenas também são comuns no Brasil. Essas invasões geralmente são realizadas por madeireiros, garimpeiros e fazendeiros, que querem explorar os recursos naturais das terras indígenas.

As prisões arbitrárias também são um problema grave no Brasil. Muitas pessoas são presas sem justa causa, muitas vezes por serem pobres ou negras.

As torturas também são praticadas no Brasil, embora sejam proibidas por lei. Em 2021, a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou a prática de torturas no Brasil.

Conclusão

O livro "2 Bilhões de Dólares para a Repressão" é uma investigação jornalística fundamental sobre o financiamento de órgãos de repressão no Brasil. A obra é um retrato da violência e da impunidade que marcam o país.

O livro é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se interessam por direitos humanos e justiça social. A obra é também um alerta sobre os riscos da repressão e da militarização da sociedade.